quinta-feira, 29 de outubro de 2009

Consciência Negra

PRESENÇA AFRICANA
.

E apesar de tudo,

ainda sou a mesma!

Livre esguia,

filha eterna de quanta rebeldia

me sagrou.


Mãe-África!
.

Mãe forte da floresta e do deserto,

ainda sou,

a Irmã-Mulher

de tudo o que em ti vibra

puro e incerto...

A dos coqueiros,

de cabeleiras verdes

e corpos arrojados

sobre o azul...

A do dendém

nascendo dos abraços das palmeiras...

.
A do sol bom, mordendo

o chão das Ingombotas...

A das acácias rubras,

salpicando de sangue as avenidas,

longas e floridas...

.
Sim!, ainda sou a mesma.

A do amor transbordando

pelos carregadores do cais

suados e confusos,

pelos bairros imundos e dormentes

(Rua 11!...Rua 11!...)

pelos meninos

de barriga inchada e olhos fundos...

.

Sem dores nem alegrias,

de tronco nu e musculoso,

a raça escreve a prumo,

a força destes dias...
.
E eu revendo ainda, e sempre, nela,

aquela

longa história onconsequente...

.
Minha terra...

Minha, eternamente...
.

Terra das acácias, dos dongos,

dos colios baloiçando, mansamente...

Terra!


.

Alda Lara (Benguela, Angola)

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